Um encontro entre Clarice Lispector, Oswaldo
Montenegro e Siegfried Zademack
Nada que existe escapa à transfiguração,
não saberei que existi daqui a poucos anos.
eu me sinto tão dentro do mundo
que me parece não estar pensando,
mas usando de uma nova modalidade de respirar
... a vida sempre nos deixa intocados.
conto apenas o que vi, não o que vejo (não sei repetir)
Lalande - lágrimas de anjo. É o mar, que nenhum olhar ainda viu.
a beleza das palavras, natureza abstrata de Deus

Se amar um marinheiro terei amado o mundo inteiro.
essa tristeza leve é a constatação de viver
Meu filho crescerá de minha força e me esmagará com sua vida
Posso parir um filho e nada sei
Compreende a vida porque não é suficientemente inteligente para não compreendê-la

- Bom é viver. Mau é...
Mau é não viver...
- Morrer?
- Não, não. Mau é não viver... morrer é diferente do bom e do mal

Quer dizer, sei-o bem, mas não posso dizer.
Sobretudo tenho medo de dizer, porque no momento em que tento falar não só não exprimo o que sinto, como o que sinto se transforma lentamente no que digo.

Siegfried Zademack (57), é alemão, de Bremen. Tem trabalhos em vários lugares do mundo.
Sua pintura é surrealista e visionária.
Clarice Lispector (1920 - 1977), era ucraniana, amante da palavra escrita, com um vigor interior próximo à ruptura.
Oswaldo Montenegro (53), carioca, é um apaixonado pela música e um letrista com ganas de escritor.
Zademack viaja pela alma humana na pintura,
Clarice as viaja nas palavras e
Oswaldo embala as imagens e as palavras na música.












